Património

O Parque das Serras do Porto apresenta um vasto e diversificado património natural intrinsecamente relacionado com a presença humana no território, justificando a sua classificação como paisagem protegida regional. Conheça um pouco mais sobre os valores patrimoniais desta região:

Património natural geológico

O “Anticlinal de Valongo” (A) corresponde a uma estrutura geológica com cerca de 90 km de extensão, com rochas e registos fósseis datados do Paleozoico e ainda com mineralizações de ouro exploradas pelos romanos. As formações geológicas que ocorrem na região, com exceção de alguns terraços fluviais e aluviões de rio, são da Era Paleozoica ou até mais antigas, testemunhando um intervalo de cerca de 250 milhões de anos da história geológica do planeta, com idades que variam do Pré-câmbrico ou do Câmbrico ao Carbonífero (B). As primeiras rochas ter-se-ão formado no início do Paleozoico, há 542 milhões de anos, ou mesmo antes, numa altura em que a região estava coberta por mar.Os sedimentos depositados em zonas relativamente profundas deram origem a xistos, enquanto os quartzitos, vaques e conglomerados resultaram da deposição em zonas menos profundas. O conjunto destas rochas forma o intitulado “Complexo Xisto-Grauváquico” (C).


As rochas presentes permitem acompanhar a evolução geológica da região, sabendo-se que no final do Câmbrico ocorreu o recuo deste mar, tendo-se formado depois no início do Ordovícico um novo mar no interior do continente, com deposição de mais sedimentos que vieram a dar origem a novas rochas, tais como o conglomerado base (D) e os quartzitos do Arenigiano (E, F G), que formaram as cristas do Anticlinal de Valongo – no flanco ocidental: serras de Santa Justa, Castiçal e Flores; flanco oriental: serras de Pias, Santa Iria e Banjas. Inclusive, e dado o aumento progressivo da profundidade deste mar, verificou-se a deposição de sedimentos finos, argilosos, que deram origem por exemplo às ardósias (H).









No final do Ordovícico, a região do Baixo-Douro encontrava-se próxima do pólo sul, ocorrendo deposição de sedimentos com características glaciárias (diamictitos) (I). Devido ao clima frio e à drástica descida do nível do mar, causada por uma intensa glaciação, a biodiversidade também foi afetada, resultando na extinção de grande parte dos seres vivos. No final do Silúrico, o mar começa de novo a recuar, sendo os últimos sedimentos depositados em ambiente marinho do período Devónico. Há cerca de 350 milhões de anos ocorreu então uma colisão entre continentes que deu origem a uma grande dobra, que se estende atualmente entre Esposende e Castro Daire. Há de seguida a salientar a implantação de uma floresta densa a oeste do Anticlinal numa extensão hoje conhecida por Bacia Carbonífera do Douro.
Além do valor geológico das rochas presentes, estas preservam um espólio fóssil que nos revela as espécies faunísticas e florísticas que habitaram neste território durante esse mesmo período de tempo. Portanto, em termos de paleontologia, os fósseis presentes são extremamente importantes dado caracterizarem um período bem definido da história da evolução da Terra, numa altura em que o ambiente e relevo da região eram muito diferentes. Da diversidade existente, destacam-se organismos como as trilobites (J), que tiveram o seu apogeu no Ordovícico, os graptólitos (L), com apogeu no Silúrico, e os braquiópodes (M), tendo no entanto sido também encontrados outros exemplares, além de alguns fósseis de plantas do Carbonífero (N).





Os recursos minerais existentes desde há muito que têm despertado o interesse do Homem. As mineralizações que ocorrem na região pertencem ao distrito mineiro auri-antimonífero Dúrico-Beirão, no qual, além das mineralizações auríferas (O, P), ocorrem também mineralizações de antimónio, estanho, tungsténio, chumbo, zinco e prata. Os trabalhos mais antigos para exploração do ouro datam, pelo menos, da época da ocupação romana da Península Ibérica.
A exploração de ardósias (Q) remonta a 1865, havendo ainda hoje várias empresas em plena laboração. A exploração de carvão (R) iniciou-se em S. Pedro da Cova em finais do século XVIII, tendo durado até meados de 1994. A exploração de antimónio (S), que ocorre frequentemente associada ao ouro, entrou em plena atividade em 1858, atingiu o seu auge entre 1870 e 1890 e cessou completamente no início dos anos setenta.
Estes valores geológicos, paleontológicos e mineralógicos têm sido objeto de estudo por parte de entidades ligadas ao ensino e à investigação, a nível nacional e internacional, com destaque para os trabalhos desenvolvidos pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.